quarta-feira, 29 de junho de 2011

Transtorno Bipolar do Humor


Distúrbio psíquico e psicológico tem sido o vilão no seio familiar ocasionando separações conjugais, inimizades, depressão, euforia,  consumo do tabaco, bebida alcoólica e outros tipos de drogas como meio de fuga.
A base da causa para a doença bipolar do humor não é inteiramente conhecida, assim como não o é para os demais distúrbios do humor. Sabe-se que os fatores biológicos (relativos a neurotransmissores cerebrais), genéticos, sociais e psicológicos somam-se no desencadeamento da doença. Em geral, os fatores genéticos e biológicos podem determinar como o indivíduo reage aos estressores psicológicos e sociais, mantendo a normalidade ou desencadeando doença. O transtorno bipolar do humor tem uma importante característica genética, de modo que a tendência familiar à doença pode ser observada.
O Transtorno Bipolar do Humor, antigamente denominado como força demoníaca, loucura, paranóia, psicose, maníaco-depressiva, é caracterizado por oscilações ou mudanças cíclicas de humor. Estas mudanças vão desde oscilações normais, como nos estados de alegria e tristeza, até mudanças patológicas acentuadas e diferentes do normal, como episódios de mania eufórica¹, hipomania² e episódios mistos³. É uma doença de grande impacto na vida do paciente, de sua família e sociedade, causando prejuízos frequentemente irreparáveis em vários setores da vida do indivíduo, como nas finanças, saúde, reputação, além do sofrimento psicológico. É relativamente comum, acometendo aproximadamente 8 a cada 100 indivíduos, manifestando-se igualmente em mulheres, homens e crianças.
O Distúrbio Bipolar manifesta na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa, impulsividade e aparentes “tempestades afetivas”. Um terço dos indivíduos manifestará a doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, com muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. Raramente começa acima dos 50 anos, e quando isso acontece, é importante investigar outras causas.
Existem três outras formas através das quais a doença bipolar do humor pode se manifestar, além de episódios bem definidos de mania e depressão.
Uma primeira forma seria a hipomania, em que também ocorre estado de humor elevado e expansivo, eufórico, mas de forma mais suave. Um episódio hipomaníaco, ao contrário da mania, não é suficientemente grave para causar prejuízo no trabalho ou nas relações sociais, nem para exigir a hospitalização da pessoa.
Uma segunda forma de apresentação da doença bipolar do humor seria a ocorrência de episódios mistos, quando em um mesmo dia haveria a alternância entre depressão e mania eufórica. Em poucas horas a pessoa pode chorar, ficar triste, sentindo-se sem valor e sem esperança, e no momento seguinte estar eufórica, sentindo-se capaz de tudo, ou irritada, falante e agressiva.
A terceira forma da doença bipolar do humor seria aquela conhecida como transtorno ciclotímico, ou apenas ciclotimia (4), em que haveria uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor.
Podemos compreender os dados fenomenológicos para diagnóstico dos transtornos bipolares como sendo dois tipos: transversais e longitudinais.
Dados Transversais referem-se a aspectos descritivos de uma síndrome que ocorre em um determinado ponto no tempo, tipos de sintomas depressivos que ocorrem durante um episódio de depressão.
Dados longitudinais referem-se ao curso dos sintomas no tempo como o momento, duração e recorrência de episódios depressivos. Ambos os dados são essenciais para a definição dos transtornos de humor e para o diagnóstico adequado do transtorno bipolar.
O diagnóstico da doença bipolar do humor deve ser feito por um médico psiquiátrico baseado nos sintomas do paciente. Não há exames de imagem ou laboratoriais que auxiliem o diagnóstico. A dosagem de lítio no sangue só é feita para as pessoas que usam carbonato de lítio como tratamento medicamentoso, a fim de se acompanhar a resposta ao medicamento.
Os portadores da síndrome Bipolar acham que não tem nenhum problema psíquico e nem emocional, não precisam de ajuda de nenhum psiquiatra porque não estão loucos, mas procuram justificativas para tais atos sempre culpando alguém por tais situações. Quando eles chegam a um consultório, quase sempre é por pressões familiares ou, então, com o intuito de se beneficiar de um laudo técnico. Frequentemente estão envolvidos com problemas legais, endividados e às com o sistema judicial. Quanto mais cedo à família levar o doente para ser tratado melhor será para ele e para os familiares. O primeiro passo é diálogo entre o doente e a família, o afeto e segurança. O segundo passo levá-lo ao psiquiatra da sua confiança e o terceiro passo acompanhar o tratamento de perto oferecendo atenção e amor.
O Transtorno Bipolar grave não tem cura, mas com o tratamento irá amenizar, o paciente deverá sempre visitar o seu psiquiatra. 
Quando a doença é detectada na infância e o grau for considerado leve os pais devem demonstrar autoridade, discipliná-la e seguir as orientações corretas do especialista. Disciplinar não é violentar a criança de forma física ou psicologicamente. Disciplinar é dialogar com a criança, demonstrar o deve, o que não deve fazer e por quê. Comece a educar o seu filho desde o terceiro mês de vida.
No passado o tratamento usado para combater esse distúrbio era banhos com ervas medicinais, excremento de animais sagrados, elixires, oferendas para agradar os deuses, penitência por ter desagrado e ofendido o divino, exorcismo para expulsar o demônio do corpo que muitas vezes culminava com a morte.
Há sociedade segmentar que acredita que essa doença é manifestação do diabo no corpo, a libertação deve ser apenas com magias e exorcismo. Também vamos encontrar algumas religiões cristãs que diz que apenas o milagre divino pode curar, se ter fé não precisa nem usar a medicina convencional. Após receber a unção já está curado. Muitas pessoas são incentivadas a dizer que estão curadas, mas depois de alguns dias a doença manifesta novamente. Agora irá funcionar as belas palavras, o principio morto e dogma, o indivíduo deve participar da coluna da igreja, ofertar e dizimar fielmente para que o nome possa estar no Livro Sagrado e fique livre das artimanhas demoníacas. Na campanha da prosperidade a pessoa deverá fazer a oferta do sacrifício doando o máximo para que possa ser restituído em dobro e tenha a bênção de Jesus.
As pessoas devem ter cautela para não ser enganadas pelas falsas promessas, priorize a sua saúde, consulte periodicamente, tome os medicamentos corretamente segundo o receituário do seu médico, faça os exames laboratoriais. O seu corpo é um templo Divino, digno de amor, afeto e atenção. Ame a ti mesmo para depois dizer que ama Deus e seu próximo. Como pode dizer que ama Deus, ama a sua esposa, seus filhos e aos próximos também se não gosta de si mesmo? Não é errado ser religioso, não é errado acreditar no milagre, mas alie o tratamento médico com o espiritual. Eu acredito nas bênçãos Divinas, o milagre existe, mas uma pessoa de consciência nunca será enganada em nenhum momento.
O tratamento, após o diagnóstico preciso, é medicamentoso, envolvendo uma classe de medicações chamada de estabilizadores do humor, da qual o carbonato de lítio é o mais estudado e o mais usado. A carbamazepina, a oxcarbazepina e o ácido valpróico também se mostram eficazes. Um acompanhamento psiquiátrico deve ser mantido por um longo período, sendo que algumas formas de psicoterapia podem colaborar para o tratamento. Para esse caso é importante a participação da família e das pessoas próximas. Quando essa pessoa participa de alguma religiosidade, ler bons livros, assiste comédia, introsa com pessoas otimista, tem o seu momento saudável e prazeroso a sua recuperação se torna mais rápido.
  
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1 A euforia leva o indivíduo a acreditar no algo irreal que é portador de dons e poderes especiais, mas o seu pensamento acelerado costumam falar muito, fugindo sempre das idéias, apresenta voz trêmula, confiança exagerada, impaciente, não consegue concentrar, faz várias coisas ao mesmo tempo e nunca finaliza, cria situações embaraçosas ou irreal, compra por impulsão, sofre de insônia, a beleza física é fundamental para ela acaba gastando com diversas cirurgias plásticas e estética sem haver necessidade.

2 A hipomania é um estado de euforia mais leve que não compromete tanto a capacidade de funcionamento do paciente. Geralmente, passa despercebida por ser confundida com estados normais de alegria e devem durar no mínimo dois dias.

3 A depressão começa manifestar lentamente, o indivíduo deixa de perceber e depois vai se agravando o sintoma. Ela se apresenta sentimentos de falta de esperança, culpa excessiva ou pessimismo; dificuldade de concentração, de se lembrar das coisas ou de tomar decisões; inquietação ou irritabilidade; sentimentos de tristeza, vazio, ou aparência chorosa/melancólica; fadiga ou perda de energia; dores ou outros sintomas corporais persistentes, não provocados por doenças ou lesões físicas; perda ou aumento de apetite/peso; perda de interesse ou prazer em atividades habitualmente interessantes; planejamento ou tentativas de suicídio. Nos casos mais graves, podem haver sintomas psicóticos (alucinações e delírios) e os sintomas chegam a manifestar pelo menos duas vezes na semana.

4 Ciclotimia é um distúrbio do humor. É sinônimo de Personalidade Ciclóide, Personalidade Ciclotímica, Transtorno afetivo de personalidade. É  é considerada uma versão mais branda do distúrbio bipolar, uma vez que os episódios de hipomania e depressão tendem a ser de menor duração (cerca de quatro dias ou menos) e de menor gravidade

Autora: Rainna Tammy 

Fonte de Pesquisa:


KAY, Jerald; TASMAN, Alan; LIEBERMAN, A. Jeffrey. Psiquiatra: ciência comportamental e fundamentos clínicos. 1 ed. Tradução: Eliseanne Nopper (psiquiatra). São Paulo: Manole, 2002.

SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes perigosas: o psicopata mora ao lado. Rio de Janeiro: Objetiva, 2008.

TENG, Chei Tung. Enigma Bipolar: consequencia, diagnóstico e tratamento do transtorno bipolar. São Paulo: MG editores, 2007.

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