sexta-feira, 15 de julho de 2011

Relato: Cidade Luz das Estrelas



Caminhei por uma estrada inclinada e larga onde uma jovem senhora e um senhor foram até o meu encontro e me abraçaram, mas de longe avistei uma muralha com estátuas de dois dragões, quatro guardiões que usavam espadas e escudos dourados, abriram o portão.
No momento que entrei fiquei encantada com o imenso jardim, aves nadando no lago e os animais pastando livremente.


Eram pessoas chegando de macas e na cadeira de roda a todo momento, acompanhados por mentores que encaminhavam para um hospital onde alguns mantinham dormindo, outros gemiam provalmente sentindo dor, outros despertavam do sonho e perguntavam onde estou?
Médicos e enfermeiros conversavam com as pessoas hospitalizadas, oravam na cabeceira de cada paciente, ofereciam água para elas, logo acalmavam e dormiam num sonho tranquilo ao som de música instrumental.
Uma jovem senhora me disse:
- Muitos chegam aqui sem saber que morreu! Depois de alguns dias que eles se acordam e verás que está tudo perfeito, sem dores, sem nenhuma sequela, pensam que tudo não passava de um pesadelo. Somente despertam para a realidade após perceberem algo diferente e ao encontrarem amigos, parentes que já faleceram. Mas nós levamos para sala de reunião e fazemos palestras para prepará-los, para que aceitam a outra vida naturalmente e saibam que não fazem parte do mundo material.
No primeiro momento alguns se assustam, outros choram, enquanto que outros compreedem e aceitam.
Os mensageiros encarregam de mostrar a família, trazer notícias e levá-los para visitá-los assim que já tiverem permissão. 
- Todos vêm para cá? Eu perguntei.
- A jovem senhora disse:
- Gostaríamos que todos viessem para cá, mas muitos se perdem no caminho porque são enganadas. Os espiritos enganadores procuram materializar num ente querido, fala o nome, age de forma grosseira, conseguem passar uma imagem autêntica e convidam para ir para sua morada, mas quando chega ao local e verá que foi enganada e dificilmente conseguirá fugir por causa da forte segurança que há.
Outros são capturados pelos jagunços assim que desprendem do corpo físico são algemados ou acorrentados e levadas para a cidade Déspota¹.
Na cidade está o rei e seus súbitos vivendo num luxuoso palácio com ricos entalhes e decorações de ouro e gemas, vigiada por diversos seguranças.
Os servidores, os escravos e os jagunços moram num bairro distante. No bairro há divertimentos violentos, bebidas alcóolicas, tabacos, intorpecentes alucinosos, diversos tipos de jogatinas, prostíbulos, festas, presídios, escola que ensinam a arte de agarrar suas presas com belos argumentos e diversas ilusões, mas nem todos tinham o direito de usufruirem dessa tal liberdade, apenas os jagunços, os seguranças, servidores e escravos obedientes que obteveram êxito no seu trabalho.
Os fracassados que não conseguiram atingir a meta determinada pelo líder ficam presos e sofrem punições severas.
A função dos seguranças e dos servidores é conseguir resgatar maior quantidades de almas. Porém, alguns conseguem fugir e, são resgatados pelos soldados da Luz e encaminhados para o hospital.
Enquanto caminhava avistei pomares, crianças brincando alegremente.
- Vamos até o mirante e verás porque a maioria não consegue vir para cá. Disse o senhor.
Do mirante pude ver vários jagunços de vestes escuros que aprisionavam os espíritos que caminhavam sem rumo e conduziam para cidade sombria.
- Temos nossos grupos de resgates, mas tem algumas pessoas que não aceitam vim para cá e preferem ficar na Terra. Disse o jovem senhor.



Na cidade Luz das Estrelas, eu vi um templo onde havia palestras e orações. Ali estavam pessoas de todas as religiões, inclusive aquelas que não seguiam nenhuma corrente religiosa.
Onde moro tem igreja em cada quadra, tem também espíritas e espiritualistas, porém sempre estão separadas por causa das divergências religiosas! Eu argumentei.
- Aqui todos nós louvamos um só Deus²! Disse a jovem sorrindo para mim.
- Todos nós trabalhamos, somos solidários uns aos outros, estudamos, cantamos, brincamos e também repousamos. Disse o jovem senhor.
Continuei caminhando, observando e  vi pessoas alimentando num grande refeitório e crianças comendo frutas.
- Não admire, as pessoas também alimentam! As pessoas que vieram para cá recentemente ainda sentem fome, alguns sentem frio e dores. Disse a jovem.
A cidade é imensa, populosa, limpa e muito bonita. A cidade não havia escuridão, tudo era muito claro e que também havia um conjunto habitacional de cor amarela sem muros. Os moradores viviam na mais perfeita harmonia, amor, alegria e segurança.
O casal olhou para mim e disse:
- Minha irmã já está na hora de retornar. Não poderá ficar aqui porque terá muita coisa que precisa fazer.
De repente eu já estava aqui. Tudo foi muito rápido...
Aproximadamente dois anos atrás que eu passei por essa experiência inesquecível de ter o previlégio de visitar a Cidade Luz das Estrelas.
Após o meu retorno ao mundo físico, pensei que não fazia parte da Terra, logo despertei a minha percepção³, mas quase não sentia o meu corpo material, peguei no meu braço, na minha face e pude ver que estava viva.
Estou viva! Sou eu! Puxa pensei que não voltaria!
Sempre que estou bem tranquila procuro fazer a minha viagem astral de forma consciente, mas surpreendi com nitidez do fato, eu fui e pude presenciar, sentir como é a vida após a morte. É inclível, a cidade no mundo espiritual realmente existe!

                                                                     Viagem Astral
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1 Cidade Déspota: cidade muito bonita, porém frio, e sombrio. Os bairros existem ruelas que inspiram medo, exalam odores que sufocam e pertubam a mente.  Relatos obtidos por aqueles que conseguiram fugir da cidade Déspota contribuíram para esclarecer que no mundo espiritual existe outra cidade onde a maioria dos espíritos vivem  e adoram um rei conhecido como rei Belo.


 2 Deus: título criado pelos ancestrais e teólogos patriarcais para identificar a Sabedoria Suprema do Deus Uno, mas todos os deuses é uma só Deusa ou Deus. Não importa qual o nome se dá a Soberana Suprema, pois a essência é a mesma o que muda é apenas a forma de indentificá-la. Todos são formas de se referir a Suprema Criadora, pois a essência é a mesma.. Antes de todas as coisas existirem, havia Uno em toda extensão do Universo. Aceitar a Fonte Criadora como a Grande-Mãe pela razão é uma atitude eminentemente filosófica; enquanto aceitá-la pela fé é uma atitude preponderamente religiosa.


3 Despertar da percepção: intermediário entre o estado de consciência individual de virgília e a consciência cósmica, equivale o despertar da consciência de sua própria existência, da essência de si mesma. Promove a expansão do campo de consciência e a desidentificação das partes, pensamentos, emoções e corpo. Este estado pode ser alcaçado através de exercícios de orientação transpessoal, relaxamento, meditação, concentração e ioga.



Autora: Rainna Tammy


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