sábado, 5 de fevereiro de 2011

Dízimo: Herança Arcaica


Foto: Yusuf Ahmad/Reuters - estadao.com.br

Dízimo era prática entre o povo semita. O dízimo era imposto obrigatório cobrado para manutenção da cidade-estado e sustento do vasto império¹. Toda família tinha que pagar uma fração de uma quinta parte para o rei-sacerdote e conquistadores.
A origem da quantidade pode estar relacionada ao sistema de contagem decimal, pois eles acreditavam que os dez dedos das mãos eram perfeitos.
O povo semita tinha como tradição devolver parte da colheita que foi tirado das terras do rei. Os 10% da colheita era levado para o templo como oferta para agradar os céus, agradar os deuses e as sacerdotisas.
As ofertas eram para a manutenção do templo, para realização de festas religiosas e para manter sustento da alta sacerdotisa, mulheres virgens consagradas e os filhos diretos da deusa Inanna/Ishtar.
O Código criado pelo rei Hammu-rabi havia 282 leis. A 13ª lei não foi adicionada porque acreditava que o número 13 era um número negativo, deuses poderiam lançar maldições sobre o seu reinado. O Código Hammu-rabi não foi o único, hoje se sabe que houve codificações ainda mais remotas, como as dos reis Ur-Nammu e Lipit-Ishtar.

Hammu-rabi

Em 1947 foi identificado o Código do Lipit-Ishtar escrito em caracteres cuneiformes e em língua suméria. "Graças a Frances Steolo, estão conservador adjunto da University Museum de Pensilvânia, foi restabelecida as barras de argila e traduzida em 1947-1948. Compõe de um prólogo, de um epílogo e de um número indeterminável de leis, das quais estão inteira ou parcialmente trinta e sete".
Lipit-Ishtar foi o quinto rei da dinastia do Isin.
Ur-Nammu, que reinou no período que se estendeu entre 2095 a.C e 2049 a.C pertenceu a terceira dinastia de Ur, pai de Amurru.
Por volta de 2100 a.C., expulsou os gútios e reunificou a região da Mesopotâmia que estava sob o controle dos acadianos e criou um código para impor ordem na cidade-estado e reparabilidade de danos civis.
O Código de Ur-Nammu (cerca de 2040 a.C.), surgido na Suméria com 43 artigos, descreve costumes antigos transformados em leis e a enfatização de penas pecuniária para delitos diversos ao invés de penas talianas. Considerado um dos mais antigos de que se têm notícias.
Em 1948, o assírio Abbrocht Geotze identificou um novo Código de leis encontradas em Tebl-Harmal. Trata-se do Código de Eshnunna escrito em babilônico e atribuído ao rei Bilalama que teria vivido pelo fim da terceira dinastia de Ur e início da dinastia do Thin.
O Código de Eshnunna  com 60 artigos traz uma simbiose entre matéria civil e penal.
Cada pessoa estava sujeita responder juridicamente caso viesse desobedecer. Havia direitos sumerianos, babilônicos e assírios.
O Código de Ur-Nammu foi descoberto somente em 1952, pelo assírio Samuel Noah Kromer professor da Universidade da Pensilvânia. 
Todas as cidades-estados da Suméria tinham seu panteão, seu rei e seu código de leis. Uma das suas leis era à obrigatoriedade do dízimo que tinha como prioridade aplicar partes das recardações na expansão, na construção de templos, ruas, palácios, fabricação de armamento e treinamento de guerreiro para defender a sua cidade-estado. Mas o Código que ganhou destaque foi o Código de rei Hammu-rabi por ser completo e perfeito.
Por volta de 1000 anos  antes de Moisés, Hammu-rabi o rei da Babilônia promulgou um código de ampla proporção que abrangia leis civis, comerciais e outros.
Deste contexto cultural é que veio Abraão cidadão honesto e exemplar que praticava todos os dispositivos legais estabelecidos em sua nação².
O sacerdote era representante de deus aqui na Terra, titulado de rei tinha autoridade absoluta, era proprietário das terras, das fontes, rios, mares e oceanos. Tinha uma vida farta e luxuosa. Cabia ao povo obediência, submissão, devolver ao rei o que da terra foi produzida³.
A prática do dízimo foi adotada pelos religiosos considerando com algo divino e obrigatório porque pertence ao Criador Deus (4).


Algumas igrejas institucionais incentivam seus fiéis a cobrar de deus as promessas divinas escrito na bíblia, dizimistas devem exigir e cobrar tudo o que é de direito legal.
Muitas pessoas pagam para receberem milagres e pagam para que alguém possa ouvir seus desabafos.
As religiões em nome de Deus prometem prosperidade, um gozo sem limite, cura, riquezas materiais, quitação de débito de forma misteriosa, dinheiro na conta bancaria dos fiéis ofertantes e dizimistas.


Os Hebreus incorporaram a prática do dízimo como a lei divina do Senhor e obrigatório a todos os seguidores de Jeová. A desobediência dessa lei está sujeito às punições severas (5) como, por exemplo: os devedores de deus serão amaldiçoados e no do juizo final serão condenados juntamente com os homicidas, suicidas, ladrões etc.
Os cristãos, os judaicos e outras religiões inspiraram nos Códigos de Hammu-rabi, nas lendas, nos mitos e nas tradições arcaica mesopotâmica para escrever a bíblia, o torah e outros livros.
Ao analisar o Código de Hammu-rabi podemos deparar as semelhanças. Penas talianas encontram nos textos bíblicos como leis divinas, sagradas e perfeitas. Essas leis têm sido aplicadas pelos seguidores de Jeová, um deus de ação déspota que puni os desobedientes até os dias de hoje.
No livro que dizem ser sagrado e inspirado por deus há diversas leis beneficiando principalmente os líderes representantes do supremo onipotente, onde contém segredos e diversas estratégias para prosperar, obter sucesso, riquezas materiais com recolhimento das ofertas e dízimos dos seus fiéis seguidores cristãos.


Uma maneira fácil de obter diversos patrimônios materiais usando a palavra, dogma e impondo o medo nas pessoas.
Infelizmente a maioria das pessoas continuam na escravidão acorrentados e dominados pelos senhores líderes religiosos. É lamentável quando se depara com pessoas perambulando pelas ruas mascaradas vivendo num mundo de ilusão, presos nos valores ultrapassados e de contradições.
As pessoas simplesmente acatam o que está escrito na bíblia como verdade absoluta sem analisarem, sem pesquisarem, não questionam porque acreditam em tudo e tem medo de encontrarem a verdadeira história.
Deus não precisa de dinheiro visto que Ele é a Fonte de toda a criação, mas devemos conscientizar sobre a importância de contribuir com as coisas boas, benéfica para si mesma e para a sociedade.
Os Universos oferecem tudo de graça cabe você retribuir as bênçãos com outras pessoas de uma forma natural e consciente.
Contribuir é uma ação voluntária e generosa (6).
Independente da dominação que você segue, a sua contribuição é benéfica e de grande valor para aquela entidade filantrófica. Seja grato com aquilo que você recebe.
Se você não segue nenhuma corrente religiosa faça a sua contribuição de forma consciente numa instituição sincera da sua confiança ou ajude uma família que está passando por momento difícil. A doação pode ser financeira, espiritual etc.
O Amor é a força que rege os Universos, e a generosidade é o ato pela qual devemos deixar fluir o Amor que abrange todas as relações com a criação divina.
Doe com alegria no coração.
É você que escolhe quando e o momento para contribuir. Se você nunca contribuiu ou não está contribuindo não se desespere, os Universos jamais irão puni-la ou isentar das bênçãos. As graças divinas são para todas as pessoas.



Século XXI, a "Era da Economia Psíquica", a concorrência religiosa vem aumentando dia a dia e os demagogos com as suas ideologias teológicas vêm aprisionando  a mente humana de tal maneira que a pessoa passa viver no cativeiro, subordinada, escravizada, manipulada e dominada pelos dominantes da palavra.
A consciência humana tem sido massacrada e reprimida. Uma pessoa de consciência racional não pode ser enganada pela bela palavra, princípio morto ou dogma.
Você só pode ser luz a partir do momento que você tem uma visão holística do mundo e adiquire das experiências vivenciadas a sua verdade.
Você só encontra a liberdade quando estiver na luz, você só pode alcançar uma consciência elevada a partir do momento que você encontrar coragem de abandonar as correntes que te aprisiona.
Nos Universos tudo flui como as correntezas de um rio. Permita que a sua verdade entre no seu coração e na sua mente. Descubra o caminho da Luz e deixe que ela venha brilhar (7).


Autora: Rainna Tammy

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1- Deuteronômio 14.22-29 "Certamente darás os dízimos de todo o produto da tua semente que cada ano se recolher do campo. E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher para ali fazer habitar o seu nome, comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias.
Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos, por estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado; então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher.
E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.
Mas não desampararás o levita que está dentro das tuas portas, pois não tem parte nem herança contigo.
Ao fim de cada terceiro ano levarás todos os dízimos da tua colheita do mesmo ano, e os depositarás dentro das tuas portas.
Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem".
2- Hebreus 7.1-2,4: "Porque este Melchizedek, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão quando este regressava da matança dos reis, e o abençoou, a quem também Abraão separou o dízimo de tudo... Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu o dízimo dentre os melhores despojos". Estes homens comprovam através das suas obrigações com a sua cidade-estado a existência do dízimo. Era uma lei antiga e obrigatória criada pelo sacerdote-rei.
  
3- Deuteronômio 26.10-13: "E eis que agora te trago as primícias dos frutos da terra que tu, ó Senhor, me deste. Então as porás perante o Senhor teu Deus, e o adorarás;
e te alegrarás por todo o bem que o Senhor teu Deus te tem dado a ti e à tua casa, tu e o levita, e o estrangeiro que está no meio de ti.
Quando acabares de separar todos os dízimos da tua colheita do terceiro ano, que é o ano dos dízimos, dá-los-ás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas portas, e se fartem.
E dirás perante o Senhor teu Deus: Tirei da minha casa as coisas consagradas, e as dei ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme todos os teus mandamentos que me tens ordenado; não transgredi nenhum dos teus mandamentos, nem deles me esqueci".

4- Êxodo 25.1,8: "Então disse o Senhor a Moisés:
Fala aos filhos de Israel que me tragam uma oferta alçada; de todo homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada.
E esta é a oferta alçada que tomareis deles: ouro, prata, bronze, estofo azul, púrpura, carmesim, linho fino, pêlos de cabras, peles de carneiros tintas de vermelho, peles de golfinhos, madeira de acácia, azeite para a luz, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromàtico, pedras de ônix, e pedras de engaste para o éfode e para o peitoral.
E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles".

5- Malaquias 3.7-10: "Desde os dias de vossos pais vos desviastes dos meus estatutos, e não os guardastes. Tornai vós para mim, e eu tornarei para vós diz o Senhor dos exércitos. Mas vós dizeis: Em que havemos de tornar?
Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas alçadas.
Vós sois amaldiçoados com a maldição; porque a mim me roubais, sim, vós, esta nação toda.
Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança".

6- Marcos 12.41-44, a oferta da viúva: "E sentando-se Jesus defronte do cofre das ofertas, observava como a multidão lançava dinheiro no cofre; e muitos ricos deitavam muito.
Vindo, porém, uma pobre viúva, lançou dois leptos, que valiam um quadrante.
E chamando ele os seus discípulos, disse-lhes: Em verdade vos digo que esta pobre viúva deu mais do que todos os que deitavam ofertas no cofre; porque todos deram daquilo que lhes sobrava; mas esta, da sua pobreza, deu tudo o que tinha, mesmo todo o seu sustento". A viúva deu-lhe a oferta de forma consciente, com alegria no coração porque sabia que era um ato de Amor. Enquanto, que outros ofertaram simplesmente por uma obrigação, para que outras pessoas vesse e considerasse como um homem bom e generoso. A pessoa não precisa oferecer tudo que tem, ficar com débito pendente, alimentando mal, deixar de comprar um medicamento para ofertar ou dizimar porque deixa ser um ato de Amor. A generosidade começa dentro de casa.
Mas a melhor maneira é fazer um controle financeiro  mensal.

7- Provérbio 3.13: "Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento".


Fonte de Pesquisas:


ALMEIDA, João Ferreira de A. A Bíblia Sagrada. Ed. Revisada e Corrigida. - Brasília: Sociedade Bíblica do Brasil, 1969.


AYMARD, Andre; AUBOYER, Jeannine. O Oriente e a Grécia Antiga, 2 ed. tradução Pedro Moacyr Campos. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1998 (Coleção Organizada por crouzet Mourão, v.1).

 
GIORDANI, Mário Curtis. História da Antiguidade Oriental. - Petrópolis: Editora Vozes, 1969.



KOSOVSKI, Ester. O crime de adultério. - Rio de Janeiro: MAUAD, 1997. - (Série Jurídica, 3).


MALAFAIA, Elizete. Bíblia da mulher vitoriosa: com segredos para uma vida completa. 1 ed. - Rio de Janeiro: Central Gospel, 2009.


MARTINEZ, João Flávio. O Código de Hamurabi. Ministériocacp. Disponível: www.cacp.org.br/historia   Acesso em 19/09/2007. 


SILVA, Américo Luís Martins da. O dano moral e a sua reparação civil. - São Paulo: RT, 1999, p. 65.

 
WOLKMER, Antônio Carlos. Fundamentos de história do direito. 4 ed. - Belo Horizonte: Del Rey, 2008.

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