segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Geração Canguru



Na década de 2000, filhos adultos solteiros entre 25 anos e 37 anos de idade preferem morar com os pais. Alguns se acomodam na casa dos pais por medo de enfrentar a realidade do mundo, dificuldades financeiros não conseguem auto sustentar. Outros preferem ficar na casa dos pais e dividir as despesas. Esses jovens contemporâneos querem sair bem estruturados profissionalmente e financeiramente.
O prolongamento a coabitação de pais/filhos adultos ocorre mais entre a classe social A, B e C da zona urbana.
A instabilidade, a incerteza e a insegurança se apresentam como fatores constitutivos do indivíduo contemporâneo. No âmbito da família, esses sentimentos permeiam as relações e provocam mudanças que se fazem sentir nas atitudes e comportamentos frente a situações do domínio social, entendida a família como a instância mediadora entre esse domínio e o indivíduo.
Sennett (1998), ao analisar o novo capitalismo, também ressalta o efeito desorientador, na vida do indivíduo, dessa economia baseada no princípio do não comprometimento em longo prazo, o que, na visão do autor, afeta a sua personalidade devido às características de não durabilidade e prazos curtos. O indivíduo necessita de virtudes estáveis como confiança, lealdade e comprometimento para o desenvolvimento de seu caráter, o que de certa forma fica inviabilizadas dadas as características dos ambientes de trabalho contemporâneos. Para o autor, as atuais transformações no setor produtivo estão originando uma "sociedade de ovos quebrados", em que as perdas produzidas são irreparáveis para a qualidade do convívio social e produtividade econômica. O fim do emprego estável e o enxugamento das empresas provocam um efeito perverso ao multiplicar os excluídos do mercado e levar os remanescentes a um crescente desânimo e descomprometimento com a empresa.
A família tem sido como refúgio diante do mundo instável e incerto. A união, amizade e o amor são fundamentais para superar as inovações e a globalização, mas os pais devem ficar alerta para saber identificar o comportamento do filho adulto, o motivo que leva tal dependência dos pais.


 Há caso de jovens que casaram, formaram família e separou por algum motivo. Muitas vezes retornam para casa dos pais levando filhos. Outro caso é filhos adultos desempregados ou viciados em droga lícita e ilícita que acomodam, passam usufruir dos salários e outros benefícios do pai ou da mãe. Nesse caso o fardo para os pais se torna pesado demais e acabam deixando de viver com dignidade para sustentar filho adulto. Alguns pais torna escravo de filho, prisioneira do sistema e com seu orçamento comprometido terminam na depressão. Enquanto o pai ou a mãe agoniza, os filhos adultos vivem no prazer, poupando e expandindo o seu investimento. Mas o que fazer diante desse fato? Filhos após 25 anos de idade continuar morando com os pais é bom ou é ruim? Como fica a liberdade desse pai ou dessa mãe que trabalhou fora, aposentou e querem gozar a liberdade com alegria? É correto proteger tanto o filho e esquecer-se de viver o seu eu?
A dica é o diálogo entre a família, estipular limite, dividir despesas, trabalho do lar e outras manutenções. Cada caso deve ser analisado com carinho e de forma racional.
O desligamento do cordão umbilical entre pais e filho é preciso acontecer no momento certo. Qual é o momento correto? A base da educação dos filhos, do diálogo,  da amizade e o desapego material contribui para estrutura fundamentada do jovem.
Os pais nunca deve superproteger o filho, deixe saber que o mundo é de desafios e que para vencer é preciso lutar, e muitas vezes essa luta é individual.
O filho adulto que tem o comportamento de adolescente precisa despertar para a realidade do mundo, ter responsabilidade, coragem, determinação, confiança no seu eu. Caso haver dificuldade para amadurecimento psíquico e emocional deve procurar um psicólogo para orientação familiar.


 As funções familiares podem ser alteradas de acordo com as pautas de mudanças imprimidas pelo sistema social. É um fenômeno psicossocial construído na interface dessa instituição e do contexto social; portanto, considera-se de fundamental importância examiná-lo sob essa perspectiva.
Alguns sociólogos acham que a geração canguru aproximou mais os laços famíliar. E você o que acha da geração canguru? Será que essa geração não passa de oportunista?
Devemos estar ciente que cada caso é um caso, que merece ser analisado antes de julgar precipitadamente.
O prolongamento da permanência dos filhos adultos vem ocorrendo em alguns paises subdesenvolvidos, mas isso depende também da cultura. Cada nação, cada país tem a sua cultura fundamentada. 
Algumas pesquisas mostram que, hoje em dia, aproximadamente 30% dos filhos adultos com mais de 30 anos de idade ainda moram com os pais. Mesmo depois de formados, com um emprego razoável e condições financeiras de manter o próprio espaço, eles não vêem motivo para abrir mão da mordomia e permanecer na casa paterna ou materna por tempo indeterminado.


Autora: Rainna Tammy

Bibliografia

Minuchin, S. (1980). Famílias, funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artes Médicas.    
    
Peixoto, C. E. (2000). Sociologia e antropologia da vida privada na Europa e no Brasil, os paradoxos da mudança. Em C.E. Peixoto; F. Singly & V. Ciccheli, (Orgs.), Família e Individualização (pp.7-11). Rio de Janeiro: FGV.        

Sennett, R. (1998). A corrosão do caráter: consequências pessoais do trabalho no novo capitalismo. São Paulo: Schwacz.    

SHINYASHIKI, Roberto. Sempre em frente, 2 ed. São Paulo: Gente, p. 65.