sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Ìyá mí cocriadora

 
  
As Ìyá-mi pertenciam a uma sociedade secreta feminista de Òsóòròngà que tornaram conhecidas como às senhoras dos pássaros. Elas reuniam na floresta para invocar energias elementares da natureza, evocar as deusas triplices do povo yorùbá para tratar de assuntos relacionados à mulher e a família. Tal reunião secreta deixava o marido e outros homens da região inseguros. Mito espalhava de aldeia em aldeia como sendo feiticeiras mais perigosas do mundo, que nas noites de Lua Cheia transformavam num grande pássaro para espionarem aldeias e maldiçoarem os seus inimigos. Tais mitos ainda mantém vivo até o presente momento nas religiões afro-brasileiro. Alguns acreditam que evocar uma Ìyá mi pode ocorrer diversos transtornos num barracão religioso. As Ìyá mi são adoradoras da Lua, do Fogo, da Noite, das deusas do Amor, da beleza e da sedução. Todos os seus ritos e rituais são feitas após a pôr do Sol. Atualmente as Ìyá mi são respeitadas  e reconhecidas pelos homens da região africana como uma mulher divina.
As Ìyá mi são mulheres escolhidas pelas deusas para darem continuidade a espécie humana, educarem e iniciarem os seus filhos na feitiçaria. 

Segundo Ronilda Iyakemi Ribeiro “as Ìyá àgbà (as anciãs, pessoas de idade, mães idosas e respeitáveis), também chamadas Àgbà; Ìyá mi (minha mãe), Ìyá mi Òsóòròngà, Minha mãe emplumada; Àjé/Eléye Senhora dos pássaros são reverenciadas pelas mulheres e pelos homens. A pesquisadora do culto africano diz que os poderes místicos da mulher está presente em seu duplo aspecto: protetora, generosa, perigosa e destrutiva. Ela está referindo o Período da evolução feminina ocorrem uma transformação hormonal no organismo que pode causar a Síndrome Pré-Mestrual, ou seja, o seu Sistema Nervoso Central fica sujeito a um desequilíbrio emocional e psíquico. Durante esse período a mulher pode ficar emotiva.
Segundo Pierre Verger, a feitiçaria é considerada anti-social em muitas culturas, porém, na sociedade Yorùbá tradicional, as Àjés (feiticeiras) não são execradas, mas constituem um dos pilares essenciais da comunidade.
Algumas comunidades evitam falar mal delas abertamente, ignoram-se o verdadeiro nome das Àjés, e preferencialmente chamam-nas Ìyá mi Òsóòròngà (Minha Mãe Oxorongá)  porque acreditam que elas possuem uma força agressiva perigosa. É preciso ter para com elas uma atitude de respeito e de prudência.
As Egbé Eléye, Egbé Ògbóni e Egbé Gèlèdé são Sociedades Secretas das Àjés que mantém os seus conhecimentos místicos somente aos iniciados herdeiros. Os iniciados recebem os ensinamentos ocultos de uma Ìyá Àgbà ou uma Ìyá mi oralmente.  

Arte: Nilson T. Oshaguian
As Ìyá mi são zeladoras da existência e guardiãs do destino, por isso sua boa vontade é essencial para à continuidade da vida, seus ensinamento mantém guardada e passada para seus filhos herdeiros.
Essa sociedade feminina se reúne a noite formando um grande círculo das feiticeiras emplumadas. Elas podem voar como um grande pássaro e penetrar nos mistérios ocultos.
As bruxas noturnas evocam as deusas triplices: Ìyá-Àgbà Nàná Bùúrùkù, a Anciã; Ìyá mi Yemoja, a genitora e Ìyá mi Òsun, a donzela encantada. Também invocavam as energias naturais da Terra e assumem uma forma divina durante os seus ritos mágicos. Atualmente o grupo da Nova Era incluem homens no Grande círculo mágico da Bruxaria noturna africana. Uma Ìyá mi consegue ver o que outros olhos não conseguem ver, consegue apaziguar o casal com o seu poder, a intuição conduz ao caminho certo. As Ìyá mi são guerreiras nata que lutam em pró da liberdade feminina. O comando feminista renasce e intimidam a sociedade patriarcal.


As bruxas noturnas africana são encantadoras e respeitadas por serem a zeladora das mães e guardiã dos mistérios das deusas tríplice africana.
As mulheres anciãs do grande Círculo Mágico são chamadas Ìyá-Àgbà ou Ìya Aiyé (Mães do Universo, Mães Anciãs ou Veneráveis Mães Anciãs); Ìyá mi são mulheres férteis e os homens são chamados de Òsó (Bruxo, Feiticeiro). Ambos ficam atribuídos do poder de manipular o destino humano através de rituais de consagração. A aquisição do poder das Ìyá mi ocorre pelo nascimento, por herança e pela iniciação.


Diz o provérbio: o filho de Ìyá mi tem sexto sentido mais aguçado podendo sentir, ver as Energias Astrais com mais nitidez e comunicar com mundos de outras dimensões.
No Brasil a história da Ìyá mi Òṣòròngà (Senhora Feiticeira) também chamada de Ìyá mi Àjẹ́ e Ìyá mi Ẹlẹ́yẹ), Ìyá mi Àiyé (Mãe Terrestre) e principalmente as Àjẹ́ (Feiticeiras), o termo Yorùba Ìyá mi (que literalmente quer dizer Minha Mãe) é um termo utilizado para referir-se a diversas energias foi bastante difundida como algo maléfico, perigoso e monstruoso.
Na Nigéria o culto a Ìyá mi Òṣòròngà, consequentemente, o culto de Àjẹ́ (feiticeira) e Oṣó (feiticeiro) é secreto e restrito.

As Àjẹ́ e os Oṣó pertencem ao grupo dos Àjògún, guerreiros que lutam contra o ego e prezam o equilíbrio do Universo, liderados por Èṣù e Ìyá mi Òṣòròngà. Tais energias só devem ser evocadas por aqueles que possuem equilíbrio psíquico, emocional e zela pela sua moral. Lidar com Energias Astrais dos Ancestrais exigem cautela e conhecimento avançado sobre o Mundo Espiritual. Jamais um leigo ou iniciado podem fazer evocação espirituais sozinhos ou evocar Energias Espirituais por curiosidade porque pode ocorrer a presença de Energias Espirituais Nocivas a fim de enganá-las e pode ser confundida com Espíritos de Luz. Não se pode confundir Evocação com Invocação[1].
É comum algumas pessoas associarem a Invocação e a Evocação como sinônimo de Invocação, enquanto possuem uma diferença definitiva em um ritual mágico. As invocações de deuses e de energias elementais podem ser efetuadas por quaisquer pessoas sem nenhum perigo porque essa Energia irá auxiliar nas suas magias lícitas ou na aproximação do Divino. O elo com o Cosmo é muito importante para que nós mantenhamos a Essência Divina na nossa mente e no nosso coração. A meditação é um exercício mental que conduz ao mundo da harmonia, da paz e do amor.
A partir do momento que uma pessoa deseja fazer um Bruxedo Ilícito terá que estar carregado de Energia Nociva para prejudicar alguém. Neste caso exige evocação de espirituais inferiores faça presentes no momento da manipulação, ou seja, quem irá atuar aproximar e executar a ação serão espíritos de alta perigosidade como: espíritos homicidas, suicidas, estupradores, psicopáticos etc.
Se a pessoa tiver sensibilidade mais aguçada poderá entrar em transe e será desastroso. Eles não fazem nada de graça e as cobranças virão de forma violenta sobre os executadores do Bruxedo Ilícito e sobre a família.
Há sacerdotes que divulgam vídeos ou publicam nas suas obras incentivando a Bruxaria Solitária e diversos tipos de manipulação de Bruxedo Ilícito apenas para ganhar fama, dinheiro e não pensam nas consequências dos leitores leigos que colocam em prática tais atos no momento de desespero.
Portanto, queridos leitores tenham bastante cautela, discernimento e sabedoria ao executar tais atos no seu dia a dia.
Animal-totem: Coruja, gavião real, concha gigante africana, concha caracol e peixe.
Número: 8.
Lua: Minguante, Crescente/Cheia e Nova.

Cor: Verde, preta, branca, lilás, amarelo ouro, vermelho e azul royal.
Local sagrado: Encruzilhada, floresta e água corrente.

Instrumento mágico: Vassoura, cabaça, abano de palmeira
Oferendas: flores, frutas, arroz cru, mel, plumas, ovo, búzio, brincos e colares de sementes.


[1]EVOCAÇÃO s.f. Ação de evocar, de recordar, de lembrar: a evocação do passado. Ação de fazer aparecer através de exorcismos, entidades sobrenaturais, espíritos ancestrais para realizar algo benéfico ou maléfico. A Evocação já é o convite à Divindade para participar do ritual em matéria astral ou espiritual dentro do espaço sagrado.
INVOCAÇÃO s.f. Ação de invocar e de chamar por alguém. Chamamento; pedido de socorro; rogo. Súplica de forma poética a uma divindade ou um espírito amigo para pedir inspiração, auxílio, intuição e luz para concretizar algo benéfico para si mesmo ou para o próximo. A Invocação se caracteriza por convidar a Divindade para participar do ritual no corpo de uma pessoa responsável.

Autora: Rainna Tammy
Fonte de Pesquisa:
BENISTE, José. Òrun Àiyé: o encontro de dois mundos: o sistema de relacionamento Nagó-yorùbá entre o céu e a terra. 10 ed. - Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2013.


Joias e Artes Afros: Arte Blog http://joiaseartesafro.arteblog.com.br/ Acesso: 15/08/2014.